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sexta-feira, 19 de abril de 2013

PRECONCEITO LINGUÍSTICO



O CÍRCULO VICIOSO DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO

           Sabe-se que a conquista de um idioma acabado jamais existirá, todas as línguas faladas no mundo tiveram um princípio, uma organização e, muitas delas atualmente já não são mais faladas como idioma oficial, portanto são consideradas línguas mortas, temos como exemplo o Latim que deu origem à Língua Portuguesa.
           Os mitos proferidos no livro “Preconceito Linguístico” de Marcos Bagno, nos colocam diante de um tema de interesse nacional e mundial, pois a Língua Portuguesa é falada na maioria dos continentes.
           Dentre os assuntos do capítulo II, temos quatro subtemas que são: Os três elementos que são quatro, Sob o império de Napoleão, Um festival de asneira e Beethoven não é dançado.
          Segundo Marcos Bagno a gramática tradicional inspira a prática de ensino, que por sua vez incentiva à indústria do livro didático, cujos autores recorrem à gramática tradicional como fonte de concepção e teoria sobre a língua. Seria este “círculo vicioso” prejudicial à língua falada e escrita? Dependendo do ponto de vista, poderia ser ou não ser nocivo, pois a gramática normativa delineia e regula as regras, enquanto a mesma pode inibir o desenvolvimento da língua, visto como a mesma é viva.
        Já o quarto elemento é com certeza uma indústria que é propagada via internet, jornais, enciclopédias, etc., com interesses puramente lucrativos, isto é, na maioria das vezes vendem um material de terceira como se fosse de primeira, com isso confundem cada vez mais os brasileiros, que são estigmatizados pela sua própria língua.
         O professor Napoleão Mendes de Almeida com sua teoria conservacionista introduziu vários conceitos, falando até mesmo, segundo ele, do apodrecimento da Língua Portuguesa e sinaliza alguns personagens como: cozinheiras, engraxates, vagabundos e criminosos devem figurar como verdadeiros mestres de nossa sintaxe e defensores de nosso vocabulário. Para Napoleão Mendes a literatura brasileira morreu em 1908, junto com Machado de Assis, desprezando toda a extensa produção do Modernismo, sendo incluso o próprio Carlos Drummond de Andrade.     
            Marcos Bagno identificou-o como uma carga de preconceito linguístico, comparando-o como uma verdadeira parede de rocha impermeável e intransponível, desrespeitando os direitos linguísticos do cidadão brasileiro.
           O terceiro subtema: Um festival de asneira, que fala do livro de Luiz Antonio Sacconi, com o título “Não erre mais”, um verdadeiro best-seller, entretanto com um dilúvio de expressões preconceituosas, sendo os jornalistas a mira escolhida das tiradas preconceituosas do autor, segundo Sacconi os jornalistas usam: o aumento do funcionalismo, o aumento da gasolina, o aumento da carne; em seguida escreve: É o mais puro aumento da incompetência. Tudo bem que alguém poderia usar esse termo pejorativamente, dizendo que o preço da gasolina não iria sofrer inflação, e sim a gasolina aumentaria de volume nos tanques dos automóveis.
           No mesmo livro, Sacconi faz afirmações preconceituosas para quase todos os segmentos da sociedade, uma delas é: Na Bahia, porém, na sempre formidável Bahia, as pessoas se acordam. O mais interessante é que se acordam e vão direto à praia... Entende-se que o pronome reflexivo ”se”, dá a entender que o baiano, ele mesmo se acorda, ou seja, ele não é acordado por um terceiro e ainda o condena de preguiçoso.
        Muito do que é falado no Brasil têm origens africanas, indígenas e europeias, trazendo com isso várias palavras que não estão na gramática normativa da Língua Portuguesa; trocando muitas vezes l pelo r que se chama lambdacismo, utilizado por inúmeros brasileiros. Podemos citar algumas palavras como: calvão (carvão), celveja (cerveja), galfo (garfo). Existe também várias palavras: arto (alto), fror (flor), cráudia (Cláudia), chicrete (chiclete); tanto o rotacismo quanto o lambdacismo ocorrem em ambientes fonéticos específicos, são fenômenos que caracterizam as variedades não-padrão (sobretudo rurais) do português do Brasil e que, por isso, recebem uma forte carga de estigmatização, isto é, sofrem um grande preconceito por parte dos falantes das variedades urbanas. Sendo o livro de Sacconi um festival de falta ética e erros de conduta em relação a população brasileira.
         O último subtema “Beethoven não é dançado” usa como material de análise “Dicas de português” assinada por “Dad Squarisi” que escreveu um texto intitulado “Português ou Caipireis), onde está documentado: Falamos o caipirês. Sem nenhum compromisso com a gramática portuguesa. Vale tudo: eu era, tu era, nós era, eles era.
         Por isso não fazemos concordância em frases como “Não se ataca as causas” ou “Vende-se carros”, dessa forma, para se falar a língua na norma culta, é necessário alfabetizar a grande maioria da população brasileira. 
             Mas não é porque somos “caipiras”, “jecas-tatus”, “matutos” ou “tabaréus”. É porque também a língua muda com o tempo, segue seu curso, transforma-se. Afinal, se não fosse desse modo, ainda estaríamos falando latim.

Resumo: Dyon Willys Acácio Nunes.
         

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