O
CÍRCULO VICIOSO DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO
Sabe-se que a conquista de um idioma acabado
jamais existirá, todas as línguas faladas no mundo tiveram um princípio, uma
organização e, muitas delas atualmente já não são mais faladas como idioma
oficial, portanto são consideradas línguas mortas, temos como exemplo o Latim
que deu origem à Língua Portuguesa.
Os mitos proferidos no livro
“Preconceito Linguístico” de Marcos Bagno, nos colocam diante de um tema de
interesse nacional e mundial, pois a Língua Portuguesa é falada na maioria dos
continentes.
Dentre os assuntos do capítulo II,
temos quatro subtemas que são: Os três elementos que são quatro, Sob o império
de Napoleão, Um festival de asneira e Beethoven não é dançado.
Segundo Marcos Bagno a gramática
tradicional inspira a prática de ensino, que por sua vez incentiva à indústria
do livro didático, cujos autores recorrem à gramática tradicional como fonte de
concepção e teoria sobre a língua. Seria este “círculo vicioso” prejudicial à
língua falada e escrita? Dependendo do ponto de vista, poderia ser ou não ser
nocivo, pois a gramática normativa delineia e regula as regras, enquanto a
mesma pode inibir o desenvolvimento da língua, visto como a mesma é viva.
Já o quarto elemento é com certeza uma
indústria que é propagada via internet, jornais, enciclopédias, etc., com
interesses puramente lucrativos, isto é, na maioria das vezes vendem um
material de terceira como se fosse de primeira, com isso confundem cada vez
mais os brasileiros, que são estigmatizados pela sua própria língua.
O professor Napoleão Mendes de Almeida
com sua teoria conservacionista introduziu vários conceitos, falando até mesmo,
segundo ele, do apodrecimento da Língua Portuguesa e sinaliza alguns
personagens como: cozinheiras, engraxates, vagabundos e criminosos devem
figurar como verdadeiros mestres de nossa sintaxe e defensores de nosso
vocabulário. Para Napoleão Mendes a literatura brasileira morreu em 1908, junto
com Machado de Assis, desprezando toda a extensa produção do Modernismo, sendo
incluso o próprio Carlos Drummond de Andrade.
Marcos Bagno identificou-o como uma
carga de preconceito linguístico, comparando-o como uma verdadeira parede de
rocha impermeável e intransponível, desrespeitando os direitos linguísticos do
cidadão brasileiro.
O terceiro subtema: Um festival de
asneira, que fala do livro de Luiz Antonio Sacconi, com o título “Não erre
mais”, um verdadeiro best-seller, entretanto com um dilúvio de expressões
preconceituosas, sendo os jornalistas a mira escolhida das tiradas
preconceituosas do autor, segundo Sacconi os jornalistas usam: o aumento do funcionalismo,
o aumento da gasolina, o aumento da carne; em seguida escreve: É
o mais puro aumento da incompetência. Tudo bem que alguém poderia usar esse
termo pejorativamente, dizendo que o preço da gasolina não iria sofrer
inflação, e sim a gasolina aumentaria de volume nos tanques dos automóveis.
No mesmo livro, Sacconi faz
afirmações preconceituosas para quase todos os segmentos da sociedade, uma
delas é: Na Bahia, porém, na sempre formidável Bahia, as pessoas se acordam. O mais
interessante é que se acordam
e vão direto à praia... Entende-se que o pronome reflexivo ”se”, dá a entender
que o baiano, ele mesmo se acorda, ou seja, ele não é acordado por um terceiro
e ainda o condena de preguiçoso.
Muito do que é falado no Brasil têm
origens africanas, indígenas e europeias, trazendo com isso várias palavras que
não estão na gramática normativa da Língua Portuguesa; trocando muitas vezes l pelo r que se chama lambdacismo, utilizado por inúmeros brasileiros.
Podemos citar algumas palavras como: calvão (carvão), celveja (cerveja), galfo
(garfo). Existe também várias palavras: arto (alto), fror (flor), cráudia
(Cláudia), chicrete (chiclete); tanto o rotacismo quanto o lambdacismo ocorrem
em ambientes fonéticos específicos, são fenômenos que caracterizam as
variedades não-padrão (sobretudo rurais) do português do Brasil e que, por
isso, recebem uma forte carga de estigmatização, isto é, sofrem um grande
preconceito por parte dos falantes das variedades urbanas. Sendo o livro de
Sacconi um festival de falta ética e erros de conduta em relação a população
brasileira.
O último subtema “Beethoven não é
dançado” usa como material de análise “Dicas de português” assinada por “Dad
Squarisi” que escreveu um texto intitulado “Português ou Caipireis), onde está
documentado: Falamos o caipirês. Sem nenhum compromisso com a gramática
portuguesa. Vale tudo: eu era, tu era, nós era, eles era.
Por isso não fazemos concordância em
frases como “Não se ataca as causas” ou “Vende-se carros”, dessa forma, para se
falar a língua na norma culta, é necessário alfabetizar a grande maioria da
população brasileira.
Mas não é porque somos “caipiras”,
“jecas-tatus”, “matutos” ou “tabaréus”. É porque também a língua muda com o
tempo, segue seu curso, transforma-se. Afinal, se não fosse desse modo, ainda
estaríamos falando latim.
Resumo:
Dyon Willys Acácio Nunes.
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